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por Matthieu Rego PC

Independentemente da escolha da sua personagem ou do seu “karma”, o jogo segue um mesmo fio condutor que leva a nossa personagem a juntar-se aos “Grey Warden”, uma milícia de temíveis guerreiros que juraram abdicar das suas vidas para se dedicarem à luta contra as forças do mal.
No decorrer do jogo seremos levados ainda a ter um papel decisivo na luta contra a Blight, unindo as raças e reinos das terras de Ferelden para juntos derrotar o mal de uma vez por todas.
Os leitores mais atentos não terão demorado a criar um paralelismo com a história do Senhor dos Anéis.

Raças divididas, populações paralisadas pelo medo, um inimigo maléfico que parece impossível de derrotar; as semelhanças com a saga de Tolkien não contribuem para dar ao jogo um guião muito original. Por outro lado, essa situação não prejudica a qualidade da narração que no decorrer da aventura proporciona momentos de grande emoção, surpresas, diálogos de qualidade e personagens emocionalmente complexas.

Infelizmente, e como é explícito na minha apresentação, a nossa capacidade de interagir com os elementos principais é muito limitada. Independentemente de ser um bom samaritano ou um autêntico “filho da p*ta” teremos inevitavelmente de seguir os passos que nos guiarão para a salvação do nosso universo.
Se o Baldur’s Gate não permitia igualmente uma liberdade sem limites, apresentar esta limitação nos dias de hoje não contribui para revitalizar o género.

Personalização um pouco limitada


Os fãs de BG ficarão certamente desiludidos com a criação de personagens. O jogador pode escolher entre as três raças do reino: Humano, Elfo ou Anão. No BG podíamos escolher entre 6 raças que incluíam mestiços como Elfo-Humano. Em Dragon Age temos três classes disponíveis: Rogue, Guerreiro e Mago, algo que normalmente é reduzido para dois em função da raça da nossa personagem. Essa mesma redução irá depois por sua vez reduzir o número dos nossos 4 guiões para 2 que incluem conteúdos como origens nobres ou pobres da nossa personagem.

Se as três classes de personagens podem dar lugar a três possíveis especializações ao nível 7, o contraste com as vinte e tais classes de BG e o seu leque de multi-disciplinas podem deixar muitos perplexos perante uma evolução que decresce ao lugar de crescer.

Perante essa situação, a Bioware pretextou que essa limitação se devia ao facto de o jogo ser fortemente condicionado pela origem do jogador, algo que limitava tecnicamente o leque possível de combinações… Como já referi ao mencionar o lado linear do guião, eu não partilho totalmente essa opinião.

Em termos de estatísticas, é-nos possível distribuir os pontos da nossa personagem em termos de constituição com os já clássicos força, constituição, “dexterity”… Por outro lado, a nossa árvore de competência é dividida entre capacidades relacionadas com o nosso estilo de combate e profissão, e outras ligadas apenas a uma faculdade mais pessoal como a nossa capacidade comunicativa, talento para roubar, preparar remédios…

Em termos de personalização do físico, o editor de personagens é bastante complexo. É possível alterar muitas partes do rosto, podemos ornamentar o rosto com tatuagens e cortes de cabelo variados embora relativamente limitadas.
 

8 Comentários Ver os comentários no fórum >>
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#1 Leinad 10 meses atrás
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Nao pretendo com isto criticar muito, até porque a review tá porreira, mas ouvir/ler que Baldurs Gate é o pai do RPG ocidental....doí...bastante. Sobretudo para quem já jogava RPGs ocidentais na NES :\
#2 Darkling 10 meses atrás
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Se calhar em vez de chamar, pai podia-se chamar antes o melhor, sei lá.
#3 DonMingos 10 meses atrás
2
[quote name='Leinad' date='30 November 2009 - 19:08' timestamp='1259608128' post='64365']
Nao pretendo com isto criticar muito, até porque a review tá porreira, mas ouvir/ler que Baldurs Gate é o pai do RPG ocidental....doí...bastante. Sobretudo para quem já jogava RPGs ocidentais na NES :\
[/quote]

Penso que com "pai" não terá necessáriamente de se referir ao primeiro do género, mas o primeiro a dar grande protagonismo ao género.

É como daqui a 10 anos alguem chamar ao WoW o "pai" dos MMO ou hoje em dia chamar ao "bruce lee" o pai dos filmes de artes marciais. Não foram os primeiros, mas foram os primeiros a fazer da sua área, algo mais conhecido
#4 Leinad 10 meses atrás
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[quote name='DonMingos' date='01 December 2009 - 12:26' timestamp='1259666809' post='64422']
Penso que com "pai" não terá necessáriamente de se referir ao primeiro do género, mas o primeiro a dar grande protagonismo ao género.

É como daqui a 10 anos alguem chamar ao WoW o "pai" dos MMO ou hoje em dia chamar ao "bruce lee" o pai dos filmes de artes marciais. Não foram os primeiros, mas foram os primeiros a fazer da sua área, algo mais conhecido
[/quote]

Ultima, Wizardry, Bards Tale, Might and Magic, Stonekeeper (acho que nao é bem este o titulo), The Elder Scrolls, Vampire: The Masquerade, Fallout, Diablo...e muitos, muitos outros que agora nem me lembro.
Ok, nao querendo parecer picuinhas, mas pelo menos Ultima e Elder Scrolls já eram franchises super bem estabelecidos e muito apreciados, tanto pela critica como pelo publico. E se houve um RPG ocidental que realmente catapultou a popularidade do genero foi Diablo. Toda a gente jogou Diablo, toda a gente já foi viciado em Diablo a certa altura (se já eram jogadores naltura pelo menos). No fundo até se pode dizer que se nao fosse pela explosao de interesse e popularidade que Diablo trouxe, provavelmente a onda de RPGs ocidentais que se seguiram nao teriam tido o mesmo sucesso (mesmo tendo em conta que Diablo é muito diferente de Baldurs Gate e todos os outros RPGs da Black Isle, Interplay e afins).

Nao estou a atacar Baldurs Gate, tambem sou fã e preservo ainda em estado impecavel as caixas tanto do primeiro como da sequela, mas Baldurs Gate é tao pai dos RPGs ocidentais como Quake 2 é o pai do FPS.

Talvez a razao principal para que Baldurs Gate tenha deixado tamanha marca, foi por ter saido em pleno boom de popularidade dos RPGs no ocidente (tanto rpgs ocidentais como Jrpgs.). Foi talvez o primeiro RPG ocidental pra que muita gente olhou com olhos realmente de ver, mesmo que provavelmente já antes tivessem jogado varios rpgs ocidentais sem sequer se dando conta que estavam a jogar RPGs ou quanto mais um rpgs ocidental (como eu. quando eu era pequenito e jogava Ultima eu lá sabia que aquilo era um RPG ocidental lol).

Enfim foi um aparte, e uma boa oportunidade pra recordar alguns bons jogos...
#5 mspirit 10 meses atrás
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Bem já que a questão despertou a atenção de mais do que uma pessoa julgo que é pertinente eu explicar-me um pouco sobre o assunto.

Antes de mais quero deixar claro que este aspecto da minha análise não é um ponto fundamental. Não designei o BG como pai do RPG ocidental tendo feito um profundo trabalho de reflexão e retrospectiva sobre a questão, até porque tentei colocar essa energia no Dragon Age e não fazer um trabalho de historicista.
O que é um RPG ocidental? Um RPG feito por ocidentais? Se esse é o ponto de referência então efectivamente o BG não é o pai.

Um RPG ocidental é um RPG que utiliza códigos de fantasia medieval? Aqui discordo mais fortemente. O RPG com características medievais ocidentais foi utilizado pelos japoneses nos primeiros tempos do RPG (e ainda o fazem), em séries tão mainstreams como Final Fantasy que começaram com moldes muito europeus.

Mas aqui o que interessa então são os critérios que me levaram a designar BG pai do RPG ocidental.
Se não estão interessados na minha perspectiva e apenas pretendem fazer um exercício de retórica para me fazer passar por um ignorante, podem desde já ignorar as próximas linhas.

Na minha perspectiva BG foi o centralizador de uma organização bastante anárquica do mundo do RPG.
Se olharmos para a maioria dos jogos de D&D na NES a grande maioria utiliza os padrões que consideramos hoje como japoneses: Combates por voltas, construção muito linear, poucos diálogos interactivos com pouquíssimo impacto na história.… Quando falamos em adaptação da licença D&D, BG foi na minha perspectiva o primeiro em realmente adaptar as regras do jogo com alguma fidelidade e pertinência.

Por outro lado foram aqui referidos alguns jogos interessantes e que na minha perspectivam fazem claramente parte da génese daquilo que eu considero o RPG ocidental.
Ultima e The Elder Scroll, vieram realmente preencher a componente de Role Play que caracterizam os RPG ocidentais, mas por outro lado considero que a mecânica do jogo em termos de gameplay que utilizavam acabaram por desaparecer. Elder Scroll e o seu FPS style (quantas séries utilizam este estilo para os seus RPG?). Os Ultima por sua vez tiveram muitos estilos diferentes ao longo dos anos, do FPS até uma orientação STR mais semelhante a BG, os Ultima são sem dúvida os maiores candidatos ao trono para além de BG sem dúvida alguma.

Por outro lado foi aqui referido o Diablo. Eu acho que o Diablo veio de facto contribuir no gameplay do estilo do rpg ocidental mas não preencheu de forma alguma os requisitos de guião. Quase nenhuma interactividade, apenas uma personagem para gerir.… O jogo popularizou o hack’n’slash num jogo muito bom mas que não preenchia nenhum desafio em termos de guião: Descermos andares até chegar ao Boss final não é propriamente algo muito complexo.

Na minha perspectiva, BG utilizou vários elementos das mecânicas existentes para juntar o todo e criar um cocktail que deixou uma marca inesquecível e que influenciou grandemente todas as produções que seguiram: Uma gestão meio hack’n’slash meio STR, um guião realmente interactivo com grandes liberdades, uma comunidade de modders que criou (e ainda o faz) guiões como já se fazem ao jogar no D&D papel.
Todos os jogos anteriores poderiam na minha perspectiva ser considerado como os avós do RPG ocidental e BG ser aquele que uniu todos os conhecimentos.

Como disse o Donmingos muito bem, nenhum MMORPG marcou tanto o género como Wow, Ultima Online já existia e muitos outros MMORPG mas o impacto de WOW foi tão brutal que hoje em dia todos as ideias um pouco originais mal conseguem sobreviver e arranjar jogador porque o WOW devorou tudo. E isso é algo que na minha perspectiva aconteceu um pouco com o BG.

Para concluir, esta é a minha perspectiva, é criticável e imperfeita mas não é de forma alguma panfletária. Não quis ofender ninguém nem dar uma lição de história dos videojogos com a minha análise ao Dragon Age.
Sei que os jogadores são uma comunidade exigente que merece que os redactores tenham um cuidado muito particular nas palavras que utilizam, só que por outro lado não julgo saudável levarem todas as afirmações paralelas numa análise como se fossemos uns historicistas dos videojogos. Tenho 23 anos e não joguei todos os videojogos que se fizeram e ainda tenho o prazer de descobrir muitos com a minha nova paixão pelo retrogaming. Tenho uma cultura dos videojogos que me parece razoável mas longe de ser um Wikipedia.

Tenho muito prazer em falar das coisas que eu escrevo, mas espero que isto se faça num quadro saudável onde os pontos de vistas de todos interessam realmente e que isso não seja um debate inútil de teólogos que querem saber qual do ovo ou da galinha foi o primeiro.

Ah! e mais uma vez obrigado por lerem as minhas análises!
#6 Leinad 9 meses atrás
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(seria talvez interessante criar um topico sobre o tema)

Sem duvida que Baldurs Gate é um dos maiores marcos na cena dos RPGs (a sequela foi ainda mais importante, quanto a mim), e ninguem lhe pode tirar esse mérito. Por outro lado, Fallout fez quase tudo o que Baldurs Gate fez antes deste ultimo. Pondo de parte qualquer referencia a D&D (quanto a mim isso é apenas uma componente tematica e nao uma linha condutora da historia dos RPGs ocidentais. Até porque os primeiros RPGs ocidentais eram aqueles jogos só de texto com historias muito diversas), pessoalmente acho que Fallout foi realmente aquele RPG que veio abrir as portas todas para o que se viria a ver no futuro do género. A diferença é que Fallout, quando saiu, passou bastante despercebido (eu só o joguei tambem prái em 99, juntamente com a sequela. muito melhores que o 3 btw, imo.) e só ficou realmente popular com a sequela, enquanto que Baldurs Gate, embora tambem tenha tido um crescimento semelhante (a sequela foi criticamente e comercialmente muito mais aclamada que o primeiro), teve ainda assim uma muito maior exposiçao quando saiu.

Por isso, e nao que eu faça grande questao nisto (sao apenas observaçoes e interessantes reflexoes, acho eu), acho que mais que ser o pai de alguma coisa (e percebo que o termo é utilizado de forma flexivel), Fallout e Baldurs Gate foram o culminar do género, a grande chegada á meta de amadurecimento do genero, que já vinha crescendo nos mesmo moldes de apresentaçao ha varios anos. E com isto refiro-me á visao isometrica que já servia de base a varios outros jogos (X-com, Jagged Alliance, etc).
E de facto podemos dizer mesmo entao que Baldurs Gate foi o pico do RPG ocidental baseado em D&D, pois felizmente o genero é tao diverso (tematicamente, apresentaçao, gameplay, etc) que seria incorrecto defenir um só como o "chefe" deles todos. Aqui tambem se pode entrar numa discussao de sub-generos e de divisao do RPG ocidental, mas de facto acho que é injusto colocar, por exemplo, um Jagged Aliance, ou mesmo um Blood Omen (excelentes RPGs ocidentais) no mesmo pacote que Baldurs Gate. Felizmente o RPG codental sempre foi muito mais flexivel e ambrangente que o JRPG.

Btw, falas do abandono da visao de FPS á lá Elder Scrolls, mas isso nunca aconteceu. Pelo contrario. Temos ainda o muito recente exemplo de Borderlands. Nao é um RPG semelhante aos Elder Scrolls, mas é um RPG jogado como FPS. Tambem temos os Deus Ex, Vampire the mascarede Bloodlines, o proprio Oblivion, Fallout 3...e certamente mais alguns que agora nao me lembro.
#7 Chrome 9 meses atrás
0
[quote name='DonMingos' date='01 December 2009 - 11:26' timestamp='1259666809' post='64422']
ou hoje em dia chamar ao "bruce lee" o pai dos filmes de artes marciais.[/quote]

o grande Chuck não concorda :martelada:

[img]http://www.behindthehype.com/wp-content/uploads/2009/03/chucknorris.png[/img]
#8 Maria 9 meses atrás
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Pelo que tenho visto este jogo é muito bom é pena n haver denhiro para o comprar se n comprava
 
 
Dragon Age Origins: The Awakening
EA
Role-Playing Game
Lançamento: 2010-03-16
Imagens na Galeria: 90
Vídeos na Galeria: 1
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