11 Anos separam este Dragon Age do pai do RPG ocidental: Baldur’s Gate. 11 Anos que simbolizam a longa caminhada de um género que perdeu muitos adeptos nesse longo percurso. Os anos passaram e muitos foram os candidatos ao trono, dos novos estúdios que nunca negaram a sua filiação ao mestre até ao Neverwinter Nights da mesma editora, a pegada de Baldur’s Gate assombra o mundo dos videojogos de um peso que ninguém parece poder assumir nem a própria Bioware.
Muito dos fãs tiveram de evoluir, uns converteram-se ao MMORPG sacrificando o “roleplay”, outros comprometeram-se com um excelente mas inferior Neverwinter Nights e uns quantos excêntricos nunca abandonaram o primeiro comprometendo-se a moddar eternamente a lembrança de uma experiência inesquecível.
Ao anunciar este Dragon Age: Origins a editora comprometeu-se ao longo de uma vasta campanha publicitária, em oferecer uma experiência digna de Baldur’s Gate e superior ao anterior Neverwinter Nights, conscientes que a profunda frustração da comunidade era o mercado ideal com um “jogo para governá-los todos” nos próximos 11 anos. É precisamente com o olhar de um fã que analisarei este novo pretendente ao trono.
 Sex & Drugs & Rock'n Roll
Antes de mais é necessário referir que o primeiro Baldur’s Gate beneficiava da licença de uma jóia do RPG papel: “Advanced Dungeon’s & Dragons”. O jogo utilizava não só o universo de D&D mas também a sua mecânica de combate. Este Dragon Age por outro lado não possui esta licença tendo a editora perdido os seus direitos sobre a licença D&D. Desilusão para uns, nova oportunidade para outros, a editora ficou inquestionavelmente livre de encaminhar o seu novo jogo para um universo à sua escolha e sem restrições para repensar a mecânica da “jóia da sua coroa”. Uma liberdade que a editora não tomou, na minha perspectiva.
O universo de Dragon Age é obscuro e fortemente influenciado pela literatura de “Dark Fantasy”. A Bioware quis endurecer as suas criações anteriores naquilo que poderíamos designar como um “Baldur’s Gate gets nasty”. Os recursos utilizados para o efeito são relativamente simples: gore, sexo (homossexual incluído), drogas, sadismos, xenofobias e outro tipo de imoralidades fazem parte de um universo onde ser elfo ou anão não se vivencia “à la Disney”. Gratuito por vezes, esta orientação tem o seu charme e contribui em dar alguma personalidade ao universo do jogo apesar de não quebrar nenhum tabu (O The Witcher já fez pior nesse terreno).
A sinopse do jogo é relativamente simples. As terras de Ferelden são há anos o campo de batalha de uma guerra que opõe as forças civilizadas da humanidade (elfos e anões incluídos) e um invasor demoníaco: The Blight. A resistência dos seres vivos de Ferelden sofreu a erosão dos anos que consumiu o optimismo das populações perante uma invasão que se aparenta sem fim. A divisão entre as raças e as conspirações de seres devorados pela cupidez. As derrotas deixaram territórios nas mãos dos Darkspawn e os refugiados vivendo em condições rudimentares transmitem um medo visceral contagiante.
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