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por Matthieu Rego PC
11 Anos separam este Dragon Age do pai do RPG ocidental: Baldur’s Gate. 11 Anos que simbolizam a longa caminhada de um género que perdeu muitos adeptos nesse longo percurso. Os anos passaram e muitos foram os candidatos ao trono, dos novos estúdios que nunca negaram a sua filiação ao mestre até ao Neverwinter Nights da mesma editora, a pegada de Baldur’s Gate assombra o mundo dos videojogos de um peso que ninguém parece poder assumir nem a própria Bioware.
Muito dos fãs tiveram de evoluir, uns converteram-se ao MMORPG sacrificando o “roleplay”, outros comprometeram-se com um excelente mas inferior Neverwinter Nights e uns quantos excêntricos nunca abandonaram o primeiro comprometendo-se a moddar eternamente a lembrança de uma experiência inesquecível.

Ao anunciar este Dragon Age: Origins a editora comprometeu-se ao longo de uma vasta campanha publicitária, em oferecer uma experiência digna de Baldur’s Gate e superior ao anterior Neverwinter Nights, conscientes que a profunda frustração da comunidade era o mercado ideal com um “jogo para governá-los todos” nos próximos 11 anos. É precisamente com o olhar de um fã que analisarei este novo pretendente ao trono.

Sex & Drugs & Rock'n Roll


Antes de mais é necessário referir que o primeiro Baldur’s Gate beneficiava da licença de uma jóia do RPG papel: “Advanced Dungeon’s & Dragons”. O jogo utilizava não só o universo de D&D mas também a sua mecânica de combate. Este Dragon Age por outro lado não possui esta licença tendo a editora perdido os seus direitos sobre a licença D&D. Desilusão para uns, nova oportunidade para outros, a editora ficou inquestionavelmente livre de encaminhar o seu novo jogo para um universo à sua escolha e sem restrições para repensar a mecânica da “jóia da sua coroa”. Uma liberdade que a editora não tomou, na minha perspectiva.

O universo de Dragon Age é obscuro e fortemente influenciado pela literatura de “Dark Fantasy”. A Bioware quis endurecer as suas criações anteriores naquilo que poderíamos designar como um “Baldur’s Gate gets nasty”. Os recursos utilizados para o efeito são relativamente simples: gore, sexo (homossexual incluído), drogas, sadismos, xenofobias e outro tipo de imoralidades fazem parte de um universo onde ser elfo ou anão não se vivencia “à la Disney”. Gratuito por vezes, esta orientação tem o seu charme e contribui em dar alguma personalidade ao universo do jogo apesar de não quebrar nenhum tabu (O The Witcher já fez pior nesse terreno).

A sinopse do jogo é relativamente simples. As terras de Ferelden são há anos o campo de batalha de uma guerra que opõe as forças civilizadas da humanidade (elfos e anões incluídos) e um invasor demoníaco: The Blight. A resistência dos seres vivos de Ferelden sofreu a erosão dos anos que consumiu o optimismo das populações perante uma invasão que se aparenta sem fim. A divisão entre as raças e as conspirações de seres devorados pela cupidez. As derrotas deixaram territórios nas mãos dos Darkspawn e os refugiados vivendo em condições rudimentares transmitem um medo visceral contagiante.
 

8 Comentários Ver os comentários no fórum >>
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#1 Leinad 8 meses atrás
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Nao pretendo com isto criticar muito, até porque a review tá porreira, mas ouvir/ler que Baldurs Gate é o pai do RPG ocidental....doí...bastante. Sobretudo para quem já jogava RPGs ocidentais na NES :\
#2 Darkling 8 meses atrás
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Se calhar em vez de chamar, pai podia-se chamar antes o melhor, sei lá.
#3 DonMingos 8 meses atrás
2
[quote name='Leinad' date='30 November 2009 - 19:08' timestamp='1259608128' post='64365']
Nao pretendo com isto criticar muito, até porque a review tá porreira, mas ouvir/ler que Baldurs Gate é o pai do RPG ocidental....doí...bastante. Sobretudo para quem já jogava RPGs ocidentais na NES :\
[/quote]

Penso que com "pai" não terá necessáriamente de se referir ao primeiro do género, mas o primeiro a dar grande protagonismo ao género.

É como daqui a 10 anos alguem chamar ao WoW o "pai" dos MMO ou hoje em dia chamar ao "bruce lee" o pai dos filmes de artes marciais. Não foram os primeiros, mas foram os primeiros a fazer da sua área, algo mais conhecido
#4 Leinad 8 meses atrás
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[quote name='DonMingos' date='01 December 2009 - 12:26' timestamp='1259666809' post='64422']
Penso que com "pai" não terá necessáriamente de se referir ao primeiro do género, mas o primeiro a dar grande protagonismo ao género.

É como daqui a 10 anos alguem chamar ao WoW o "pai" dos MMO ou hoje em dia chamar ao "bruce lee" o pai dos filmes de artes marciais. Não foram os primeiros, mas foram os primeiros a fazer da sua área, algo mais conhecido
[/quote]

Ultima, Wizardry, Bards Tale, Might and Magic, Stonekeeper (acho que nao é bem este o titulo), The Elder Scrolls, Vampire: The Masquerade, Fallout, Diablo...e muitos, muitos outros que agora nem me lembro.
Ok, nao querendo parecer picuinhas, mas pelo menos Ultima e Elder Scrolls já eram franchises super bem estabelecidos e muito apreciados, tanto pela critica como pelo publico. E se houve um RPG ocidental que realmente catapultou a popularidade do genero foi Diablo. Toda a gente jogou Diablo, toda a gente já foi viciado em Diablo a certa altura (se já eram jogadores naltura pelo menos). No fundo até se pode dizer que se nao fosse pela explosao de interesse e popularidade que Diablo trouxe, provavelmente a onda de RPGs ocidentais que se seguiram nao teriam tido o mesmo sucesso (mesmo tendo em conta que Diablo é muito diferente de Baldurs Gate e todos os outros RPGs da Black Isle, Interplay e afins).

Nao estou a atacar Baldurs Gate, tambem sou fã e preservo ainda em estado impecavel as caixas tanto do primeiro como da sequela, mas Baldurs Gate é tao pai dos RPGs ocidentais como Quake 2 é o pai do FPS.

Talvez a razao principal para que Baldurs Gate tenha deixado tamanha marca, foi por ter saido em pleno boom de popularidade dos RPGs no ocidente (tanto rpgs ocidentais como Jrpgs.). Foi talvez o primeiro RPG ocidental pra que muita gente olhou com olhos realmente de ver, mesmo que provavelmente já antes tivessem jogado varios rpgs ocidentais sem sequer se dando conta que estavam a jogar RPGs ou quanto mais um rpgs ocidental (como eu. quando eu era pequenito e jogava Ultima eu lá sabia que aquilo era um RPG ocidental lol).

Enfim foi um aparte, e uma boa oportunidade pra recordar alguns bons jogos...
#5 mspirit 8 meses atrás
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Bem já que a questão despertou a atenção de mais do que uma pessoa julgo que é pertinente eu explicar-me um pouco sobre o assunto.

Antes de mais quero deixar claro que este aspecto da minha análise não é um ponto fundamental. Não designei o BG como pai do RPG ocidental tendo feito um profundo trabalho de reflexão e retrospectiva sobre a questão, até porque tentei colocar essa energia no Dragon Age e não fazer um trabalho de historicista.
O que é um RPG ocidental? Um RPG feito por ocidentais? Se esse é o ponto de referência então efectivamente o BG não é o pai.

Um RPG ocidental é um RPG que utiliza códigos de fantasia medieval? Aqui discordo mais fortemente. O RPG com características medievais ocidentais foi utilizado pelos japoneses nos primeiros tempos do RPG (e ainda o fazem), em séries tão mainstreams como Final Fantasy que começaram com moldes muito europeus.

Mas aqui o que interessa então são os critérios que me levaram a designar BG pai do RPG ocidental.
Se não estão interessados na minha perspectiva e apenas pretendem fazer um exercício de retórica para me fazer passar por um ignorante, podem desde já ignorar as próximas linhas.

Na minha perspectiva BG foi o centralizador de uma organização bastante anárquica do mundo do RPG.
Se olharmos para a maioria dos jogos de D&D na NES a grande maioria utiliza os padrões que consideramos hoje como japoneses: Combates por voltas, construção muito linear, poucos diálogos interactivos com pouquíssimo impacto na história.… Quando falamos em adaptação da licença D&D, BG foi na minha perspectiva o primeiro em realmente adaptar as regras do jogo com alguma fidelidade e pertinência.

Por outro lado foram aqui referidos alguns jogos interessantes e que na minha perspectivam fazem claramente parte da génese daquilo que eu considero o RPG ocidental.
Ultima e The Elder Scroll, vieram realmente preencher a componente de Role Play que caracterizam os RPG ocidentais, mas por outro lado considero que a mecânica do jogo em termos de gameplay que utilizavam acabaram por desaparecer. Elder Scroll e o seu FPS style (quantas séries utilizam este estilo para os seus RPG?). Os Ultima por sua vez tiveram muitos estilos diferentes ao longo dos anos, do FPS até uma orientação STR mais semelhante a BG, os Ultima são sem dúvida os maiores candidatos ao trono para além de BG sem dúvida alguma.

Por outro lado foi aqui referido o Diablo. Eu acho que o Diablo veio de facto contribuir no gameplay do estilo do rpg ocidental mas não preencheu de forma alguma os requisitos de guião. Quase nenhuma interactividade, apenas uma personagem para gerir.… O jogo popularizou o hack’n’slash num jogo muito bom mas que não preenchia nenhum desafio em termos de guião: Descermos andares até chegar ao Boss final não é propriamente algo muito complexo.

Na minha perspectiva, BG utilizou vários elementos das mecânicas existentes para juntar o todo e criar um cocktail que deixou uma marca inesquecível e que influenciou grandemente todas as produções que seguiram: Uma gestão meio hack’n’slash meio STR, um guião realmente interactivo com grandes liberdades, uma comunidade de modders que criou (e ainda o faz) guiões como já se fazem ao jogar no D&D papel.
Todos os jogos anteriores poderiam na minha perspectiva ser considerado como os avós do RPG ocidental e BG ser aquele que uniu todos os conhecimentos.

Como disse o Donmingos muito bem, nenhum MMORPG marcou tanto o género como Wow, Ultima Online já existia e muitos outros MMORPG mas o impacto de WOW foi tão brutal que hoje em dia todos as ideias um pouco originais mal conseguem sobreviver e arranjar jogador porque o WOW devorou tudo. E isso é algo que na minha perspectiva aconteceu um pouco com o BG.

Para concluir, esta é a minha perspectiva, é criticável e imperfeita mas não é de forma alguma panfletária. Não quis ofender ninguém nem dar uma lição de história dos videojogos com a minha análise ao Dragon Age.
Sei que os jogadores são uma comunidade exigente que merece que os redactores tenham um cuidado muito particular nas palavras que utilizam, só que por outro lado não julgo saudável levarem todas as afirmações paralelas numa análise como se fossemos uns historicistas dos videojogos. Tenho 23 anos e não joguei todos os videojogos que se fizeram e ainda tenho o prazer de descobrir muitos com a minha nova paixão pelo retrogaming. Tenho uma cultura dos videojogos que me parece razoável mas longe de ser um Wikipedia.

Tenho muito prazer em falar das coisas que eu escrevo, mas espero que isto se faça num quadro saudável onde os pontos de vistas de todos interessam realmente e que isso não seja um debate inútil de teólogos que querem saber qual do ovo ou da galinha foi o primeiro.

Ah! e mais uma vez obrigado por lerem as minhas análises!
#6 Leinad 8 meses atrás
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(seria talvez interessante criar um topico sobre o tema)

Sem duvida que Baldurs Gate é um dos maiores marcos na cena dos RPGs (a sequela foi ainda mais importante, quanto a mim), e ninguem lhe pode tirar esse mérito. Por outro lado, Fallout fez quase tudo o que Baldurs Gate fez antes deste ultimo. Pondo de parte qualquer referencia a D&D (quanto a mim isso é apenas uma componente tematica e nao uma linha condutora da historia dos RPGs ocidentais. Até porque os primeiros RPGs ocidentais eram aqueles jogos só de texto com historias muito diversas), pessoalmente acho que Fallout foi realmente aquele RPG que veio abrir as portas todas para o que se viria a ver no futuro do género. A diferença é que Fallout, quando saiu, passou bastante despercebido (eu só o joguei tambem prái em 99, juntamente com a sequela. muito melhores que o 3 btw, imo.) e só ficou realmente popular com a sequela, enquanto que Baldurs Gate, embora tambem tenha tido um crescimento semelhante (a sequela foi criticamente e comercialmente muito mais aclamada que o primeiro), teve ainda assim uma muito maior exposiçao quando saiu.

Por isso, e nao que eu faça grande questao nisto (sao apenas observaçoes e interessantes reflexoes, acho eu), acho que mais que ser o pai de alguma coisa (e percebo que o termo é utilizado de forma flexivel), Fallout e Baldurs Gate foram o culminar do género, a grande chegada á meta de amadurecimento do genero, que já vinha crescendo nos mesmo moldes de apresentaçao ha varios anos. E com isto refiro-me á visao isometrica que já servia de base a varios outros jogos (X-com, Jagged Alliance, etc).
E de facto podemos dizer mesmo entao que Baldurs Gate foi o pico do RPG ocidental baseado em D&D, pois felizmente o genero é tao diverso (tematicamente, apresentaçao, gameplay, etc) que seria incorrecto defenir um só como o "chefe" deles todos. Aqui tambem se pode entrar numa discussao de sub-generos e de divisao do RPG ocidental, mas de facto acho que é injusto colocar, por exemplo, um Jagged Aliance, ou mesmo um Blood Omen (excelentes RPGs ocidentais) no mesmo pacote que Baldurs Gate. Felizmente o RPG codental sempre foi muito mais flexivel e ambrangente que o JRPG.

Btw, falas do abandono da visao de FPS á lá Elder Scrolls, mas isso nunca aconteceu. Pelo contrario. Temos ainda o muito recente exemplo de Borderlands. Nao é um RPG semelhante aos Elder Scrolls, mas é um RPG jogado como FPS. Tambem temos os Deus Ex, Vampire the mascarede Bloodlines, o proprio Oblivion, Fallout 3...e certamente mais alguns que agora nao me lembro.
#7 Chrome 8 meses atrás
0
[quote name='DonMingos' date='01 December 2009 - 11:26' timestamp='1259666809' post='64422']
ou hoje em dia chamar ao "bruce lee" o pai dos filmes de artes marciais.[/quote]

o grande Chuck não concorda :martelada:

[img]http://www.behindthehype.com/wp-content/uploads/2009/03/chucknorris.png[/img]
#8 Maria 6 meses atrás
0
Pelo que tenho visto este jogo é muito bom é pena n haver denhiro para o comprar se n comprava
 
 
Dragon Age Origins: The Awakening
EA
Role-Playing Game
Lançamento: 2010-03-16
Imagens na Galeria: 90
Vídeos na Galeria: 1
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