Tendo consciência que as primeiras linhas de uma análise são as linhas privilegiadas dos leitores, julgo pertinente utilizar o espaço da minha introdução para estabelecer logo à partida duas notas: 1. Muramasa: The Demon Blade é um dos melhores jogos do catálogo da Wii, 2. Este jogo não se encontra comercializado em nenhuma das grandes lojas do nosso país e muito provavelmente em nenhuma loja do nosso território.
Tendo em conta que o jogo se encontra disponível no território Espanhol, quais são os motivos para a nossa ostracização? O fenómeno social que foi o Dragon Ball no nosso país não intrigou nenhum distribuidor? Todos aqueles que aguentaram o palhaço do Batatoon para ver o Samurai X não representam nenhuma audiência? A nova geração de fãs de Naruto, que se apaixonaram pelo anime sem ter a sorte de os descobrir nos canais da televisão publica não representam nenhum mercado?
É realmente assustador constatar que as entidades comerciais nacionais são absolutamente surdas à evolução dos gostos da nossa juventude, incapazes de perceber que um jogo de aspiração totalmente japonesa não é uma extravagância ou um choque cultural, mas sim a marca de um fenómeno outrora marginal e que hoje em dia é tão “mainstream” como os dançarinos Japoneses dos videoclips da Madonna.
É com a ajuda de “nuestros hermanos” que tenho o prazer de analisar o novo jogo da Vanillaware: Muramasa: The Demon Blade.
Aqueles que nunca ouviram falar deste estúdio podem estar descansados, as mentes criativas do estúdio japonês sempre tiveram uma relação complicada com o velho continente. Entre as portagens muito tardias, escolhendo sempre a melhor altura e com um número muito fraco de cópias distribuídas ou sem qualquer política publicitária, os excelentes Grim Grimoire, Princess Crown ou Odin Sphere não chegaram a extasiar muito mais do que a imprensa especializada. A Vanillaware é como tal percepcionada como um estúdio “indie” rei do scrolling 2D e dos ambientes visuais “artistique” com um “target” Otaku requintado.
Serei muito claro neste ponto: O jogo não se destina apenas a este nicho de mercado! Mas acabemos com os preliminares, é tempo de dissecar o sujeito em questão.
O jogo decorre durante a Era Genroku (Aproximadamente 150 anos antes de Kenshin) época muito dinâmica a nível artístico e que imortalizou o folclore japonês.
 Lutar nas ondas de Kanagawa…
Dois destinos intimamente ligados são-nos apresentados. Kisuke é um jovem ninja amnésico, perseguido por um crime que ele não recorda, carregando três caveiras e uma katana do seu tamanho, o seu ninjutsu mortífero é a marca de um passado violento que ele tenta recordar. Momohime é uma princesa possuída pelo espírito do famoso espadachim Jinkuro Izuna, sujeita ao poder do guerreiro, é obrigada a cumprir os planos de Jinkuro. As duas personagens perseguem o mesmo objectivo: Obter a poderosa Demon Blade, espada mística cobiçada por todos os guerreiros do arquipélago, e colectar as diversas espadas forjadas pelo mítico Senzo Muramasa.
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